O ALENTEJO

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As nossas casas caiadas

É o espaço aberto que parece não ter fim. São as cores e os cheiros que brotam da terra. É a inconfundível traça da arquitectura rural, presente nos "montes” das grandes herdades, no casario mais antigo das cidades, vilas e aldeias ou nas ermidas que pintam de branco o alto dos cabeços. É o que se lê nas formas de ser e de fazer, nas artes que se conservam e se renovam, na tradição que se mantém e se recria, no "cante” que, com alma e coração, só os alentejanos sabem cantar.

Ao longo da sua viagem vai descobrir o grande exemplo de sabedoria que é a arquitectura tradicional. As construções integraram-se na paisagem como se dela fizessem parte, utilizaram materiais e soluções adaptadas ao clima e à função e formaram conjuntos naturalmente equilibrados que, ainda hoje, são fonte de inspiração para as intervenções contemporâneas.
Passear pelo Alentejo é um encontro permanente com esta realidade e com os dois tipos de arquitectura que a exprimem: a erudita, por vezes de grande valia sob o ponto de vista do património monumental, e que é bem visível nos solares de grandes herdades e nas casas nobres dos centros urbanos; e a popular, que nos revela outras faces do património, de sabor genuinamente rural, e se observa no casario mais antigo das aldeias, vilas e cidades. 

Este encontro não é feito apenas de momentos perfeitos. Mas nesta época de mudança em que convivem intervenções contemporâneas de qualidade, modernizações discutíveis da habitação tradicional e excelentes exemplos de recuperação, é a traça arquitectónica que identifica o Alentejo que continua a dominar a paisagem e nos prende o olhar. 

Por esta razão, o convite que lhe fazemos é que visite, agora nesta perspectiva, algumas localidades que permanecem como referências essenciais. Sugerimos-lhe apenas meia dúzia de exemplos porque, a partir deles, aprenderá tudo o que precisa para prosseguir a sua descoberta autónoma de outros lugares. 

No Norte Alentejano são incontornáveis as vilas de Marvão e Castelo de Vide, esta última com a Judiaria mais espantosa de toda a Região. Mas veja também Alegrete, dentro e fora do castelo, a minúscula Flor da Rosa, o centro histórico de Cabeço de Vide e Alter Pedroso.

No Alentejo Central, é obrigatório conhecer as três jóias patrimoniais que são Evoramonte, Terena e Monsaraz. Como exemplo de uma vila viva e bem cuidada, visite Redondo. Como paradigma de recuperação de uma aldeia totalmente abandonada, S. Gregório, no sopé da Serra d’ Ossa., No Baixo Alentejo, destacam-se os centros históricos de Alvito, Serpa e Mértola, cada um com o seu ambiente específico, mas também o casario antigo de pequenos lugares como Vila Alva, entre Alvito e Cuba, Casével e Aivados, junto de Castro Verde, e a bela Messejana, a dois passos de Aljustrel. 

No Litoral Alentejano, três pequenas aldeias, com enquadramentos muito diferentes, são suficientes para mostrar a quem passa férias nesta zona por causa do sol e do mar, que vale a pena descansar da praia de vez em quando e dar uns passeios pelo interior: Santa Susana (Alcácer do Sal), Lousal (Grândola) e a serrana Vale de Santiago (Odemira). 

Sempre que percorrer uma aldeia, procure identificar as características mais marcantes da arquitectura rural: as casas só com um piso térreo; as paredes grossas e com poucas aberturas, tradicionalmente construídas em taipa, solução sábia para, com poucos meios, conservar o calor no Inverno e a frescura no Verão; as enormes chaminés, por vezes mais altas do que as casas, por onde saem os fumos das lareiras que aquecem as noites frias e curtem os enchidos caseiros; o lugar privilegiado que ocupa a cozinha; o forno do pão, por vezes comum a toda a aldeia, com a sua inconfundível forma abobadada; a textura das paredes exteriores e interiores que, ano a ano, as mulheres vão cobrindo com novas camadas de cal; e os coloridos rodapés que, nos velhos tempos, se pintavam predominantemente de ocre e de azul.

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