O ALENTEJO

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Artes tradicionais
É o espaço aberto que parece não ter fim. São as cores e os cheiros que brotam da terra. É a inconfundível traça da arquitectura rural, presente nos "montes” das grandes herdades, no casario mais antigo das cidades, vilas e aldeias ou nas ermidas que pintam de branco o alto dos cabeços. É o que se lê nas formas de ser e de fazer, nas artes que se conservam e se renovam, na tradição que se mantém e se recria, no "cante” que, com alma e coração, só os alentejanos sabem cantar.
O Artesanato do Alentejo está em fase de mudança. Já lá vai o tempo em que era apenas identificado com as faces rugosas dos velhos mestres que trabalhavam o barro, o ferro, o estanho, a madeira, a cortiça, o bunho, o couro, as peles ou o corno, e com as mãos hábeis das mulheres que pintavam a louça do quotidiano, faziam rendas e bordados ou passavam horas infindas em volta dos seus teares.

A tradição passou de pais para filhos mas os mestres tornaram-se professores de públicos mais alargados. E assim começou a surgir uma nova geração de artesãos, que aposta no que tem procura, deixando ao resto o lugar que sempre se reserva ao que vale mas não tem uso: o museu. 

Entre as Artes que estão a conquistar o direito ao futuro, destacamos aqui apenas três expressões: a olaria e pintura, os trabalhos em pele e couro e os têxteis. Estão ligadas a centros de produção / criação bem definidos, que fizeram escola, podem ser visitados e têm sempre produtos à venda: nas próprias oficinas e nas lojas de artesanato da região. Comece por ir aos postos de Turismo, onde se expõem boas colecções, e informe-se onde pode ver os artesãos a trabalhar e fazer compras.

Olaria e Pintura
Na olaria e pintura, o Alentejo oferece uma interessante diversidade. 
Os Barros da Flor da Rosa cumprem todos os requisitos para merecerem a classificação de "artesanato”: utilizam a matéria-prima da região, que se cava nas chamadas "barreiras”, e mantêm os processos tradicionais de produção. Estão representados por uma selecção de 14 peças utilitárias, cada uma com a sua forma e função, em exposição permanente no Posto de Turismo. A Olaria Pedrada de Nisa é única no Alentejo. Depois de as peças de barro vermelho estarem moldadas, são decoradas com desenhos onde se incrustam pequeníssimas pedras de quartzo recolhidas na Serra de S. Miguel. Estando em Nisa, aproveite ainda para relaxar e tirar proveito das águas das termas da Fadagosa de Nisa.

Em Estremoz, o destaque vai para a sua famosa Barrística. A melhor forma de a conhecer é visitar o Museu Municipal Prof. Joaquim Vermelho, que exibe uma notável colecção de obras populares dos séculos XVIII e XIX. Os temas da tradição ainda hoje continuam a inspirar os artesãos da cidade. Os santos de nicho e os presépios são as obras mais conhecidas e mais procuradas, em particular pelos coleccionadores. Os presépios incluem figuras religiosas e profanas e, algumas destas últimas, são já criadas e vendidas separadamente. Mas há outros temas recorrentes: os assobios e os "rouxinóis”; os ganchos de fazer meia, renda ou malha; os "napoleões”, soldados vestidos com as fardas do tempo das Invasões Francesas; os "pretos” de saias vermelhas; as "primaveras”, figuras de mulher vestidas de dançarinas com um arco de rosas de ombro a ombro e um chapéu enfeitado com lacinhos e flores; e, carregada de simbolismo, a metáfora "O Amor é Cego”, figura de mulher com os olhos vendados. 

No que respeita à olaria utilitária e decorativa, embora haja produção em vários locais, são três os grandes nomes de referência: Redondo, Viana do Alentejo (hoje com menor expressão) e S. Pedro do Corval, o maior centro oleiro da Península Ibérica. 

Cântaros, talhas, vasos, jarras, pratos de todos os tamanhos e feitios, chávenas, suportes para velas, peças decorativas para jardins, de tudo se encontra nestes simpáticos lugares que merecem visita por esta e outras razões. As olarias estão todas abertas ao público, o que permite seguir o processo de criação desde o moldar da peça à secagem, cozedura no forno e decoração final. 

Trabalhos em pele e couro
Arreios para animais, selas para toureio e para passeio, malas, sapatos e botas, chinelos forrados, vestuário para o quotidiano ou para as caçadas, são alguns dos objectos em pele e couro que continuam a fazer-se e a vender-se no Alentejo. 

Em Terrugem, junto a Elvas, e em Nossa Senhora de Machede, na zona de Évora, existem fábricas de curtumes que, apesar de alguma mecanização, conservam uma atmosfera verdadeiramente medieval. Vale a pena visitá-las e contactar ao vivo com as "voltas” que a pele dá antes de chegar à mão de quem a transforma e produz a obra final.

Para além destes dois lugares, encontram-se excelentes artesãos da pele e do couro em Alter do Chão (correaria), em Cuba (calçado), em Almodôvar (calçado) e em Alcácer do Sal (correaria). 

Mantas, Tapetes, Tapeçarias
As Mantas Alentejanas tradicionais são feitas em teares, com fio de lã de ovelha, branca e negra. São peças muito bonitas. Colocam-se nas camas, decoram as paredes e, em alguns casos, também servem de tapete. Aos padrões tradicionais vieram juntar-se outros, com novas cores, fruto da criatividade de quem as concebe e produz. Com as mesmas técnicas, mas utilizando também o algodão, hoje fazem-se cortinas, individuais que embelezam qualquer mesa, capotes, ponches, almofadas, sacos, mantas de viagem, meias, toalhas … Os principais centros de produção que fizeram escola nesta arte e continuam vivos são Reguengos de Monsaraz e Mértola os Tapetes de Arraiolos, bordados ao longo de séculos, chegaram até nós graças ao labor, engenho e arte de várias gerações de bordadeiras que, ainda hoje, quantas vezes sentadas à porta da rua das suas casas, continuam a criar, ponto a ponto, os desenhos da tradição.

Tanto quanto se sabe, tudo começou no séc. XV quando, por ordem de D. Manuel I, várias famílias mouriscas foram expulsas de Lisboa. A caminho do norte de África e do sul de Espanha, algumas viriam a fixar-se em Arraiolos. Face ao bom acolhimento local, os artesãos destes grupos, disfarçados de cristãos-novos, começaram a dedicar-se à manufactura de tapeçarias. E assim nasceram os tapetes de Arraiolos, que, até aos nossos dias, terão conhecido três épocas, a que correspondem distintas composições decorativas.

Arraiolos continua a ser a capital desta arte que, no mês de Junho, tem um momento alto de revelação no evento "O Tapete está na Rua”. As suas lojas são, muitas vezes, locais de trabalho que podem visitar-se todo o ano e vale a pena assistir ao vivo à mestria das bordadeiras. Mas vale também a pena subir ao seu castelo, o único circular de todo o Alentejo, caminhar pelas ruas estreitas que irrompem entre o casario tradicional, entrar na Igreja da Misericórdia com a nave repleta de azulejos historiados alusivos às obras de misericórdia e, como não podia deixar de ser, provar os seus suculentos pastéis de toucinho. 

Tapeçaria de Portalegre
A Tapeçaria de Portalegre, mural decorativa, é um caso à parte na criação têxtil do Alentejo. Nasceu na Manufactura de Portalegre de Guy Fino, o industrial que colocou Portugal na lista dos grandes produtores mundiais de tapeçaria. A sua originalidade advém de uma técnica específica inventada por Manuel do Carmo Peixeiro nos anos 20 do século passado, conhecida como "ponto de Portalegre”. Este ponto permite a reprodução rigorosa do modelo, neste caso, obras de grandes nomes da pintura como Almada Negreiros, Vieira da Silva ou Vítor Pomar. Pode conhecer esta história e ver a exposição permanente de tapeçarias no Museu Guy Fino, instalado no Palácio Castel-Branco, em Portalegre. 
  
Para além das artes mencionadas, não deixe de apreciar o mobiliário em madeira pintada de Évora, Redondo e Ferreira do Alentejo, sempre complementado pelas cadeiras com assentos em bunho; o mobiliário e objectos decorativos em ferro forjado, de Campo Maior e Ferreira do Alentejo, entre os quais se encontram criações contemporâneas com grande procura; e, em toda a região, a cestaria, os objectos em cortiça e corno e as várias expressões da arte pastoril em madeira. 
 
Nos postos de Turismo encontra informação sempre actualizada sobre as muitas Mostras e Feiras de Artesanato que se vão realizando ao longo do ano.

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